Post rápido e rasteiro. O ex(?)-Los Hermanos postou no seu MySpace uma música nova chamada Téo e a Gaivota. Segundo Alex Werner (que já trabalhou com o grupo e postou o vídeo no YouTube), a coisa foi gravada no verão deste ano. Despropositada e totalmente instrumental, a música parece sobra do Almir Sater para a trilha da novela Pantanal.
Tosqueira pura o novo single do rapper Snoop Dogg, Sexual Seduction. O clipe é propositalmente ruim de doer, com referências à estética podreira blackexploitation, camas redondas voando para a lua e um vocoder safado á la T-Pain (um dos novos nomes do deprimente cenário hip-hop mainstream estadunidense). Opa, será que este é o começo da era Britney?
A música original se chama Sexual Eruption e é a primeira a dar as caras do nono álbum de Snoop, entitulado Ego Trippin’, que deve sair no primeiro semestre de 2008. Aí embaixo você pode escutar a coisa toda sem censura:
Depois de muita correria, finalmente chegamos em Goiânia no sábado. Ficamos loucos para ver o show do Pato Fu na sexta, mas o caos não deixou: reuniões, produção de camisetas, confecção do banner da marca para o stand… já era. Quem viu, disse que o show dos mineiros foi muito bom. Montamos a lojinha com as camisetas e fomos trabalhar, afinal, o Goiânia Noise é um dos principais festivais independentes e muita gente iria aparecer. Uma puta estrutura foi montada no Centro Cultural Oscar Niemeyer, um lugar gigantesco, super arejado e bem familiar pra quem é, como a gente, de Brasília. A organização e boa vontade que faltaram no Tim Festival sobraram no Noise: vários pontos para venda de bebidas e ranguinhos (todos com preços camaradas), área de stands bem organizada, entrada sem aperto e palco principal no anfiteatro com uma acústica extraordinária. O povo da Monstro Discos está cada vez mais profí.
Vimos poucos shows, já que a gente se revezava nas vendas e na ajuda aos nossos hermanos da Kingdom Comics, nossos companheiros de stand. O palco 2 ficava logo atrás da área da feira, então ouvimos a porrada toda das bandas que se apresentaram ali, como os interessantíssimos gaúchos do Damn Laser Vampires e os cuiabanos do Macaco Bong. Mas o nosso lado empreendedor foi pro saco quando se aproximou a hora do show dos novaiorquinos do Battles. Guardamos as camisetas, desmontamos tudo e fomos felizes ver o show de cerveja na mão.
A mistureba do Goiânia Noise é linda: os metaleiros do Korzus pouco antes do Cordel do Fogo Encantado, Mundo Livre S/A abrindo pro Sepultura. Achei que o público não iria curtir muito a maluquice sonora do Battles, cheios de experimentalismo e inúmeras camadas de instrumentos. Se fosse em Brasília, o show não teria 500 pessoas. Imagina então o que uma multidão insandecida pelo som do Sepultura iria achar de quatro gringuinhos de roupa social distorcendo guitarras com uma parafernália eletrônica?
O Battles chegou de mansinho e foi tomando o anfiteatro, crescendo aos poucos. Abriram o show com o novo single Tonto, que teve um probleminha quando Tyondai Braxton tentou fazer os efeitos com o microfone e o treco não funcionou direito. A química dos caras no palco é absurda, com cada novo instrumento sendo executado/distorcido na hora exata, dando a sensação de que aquele som ali não iria parar de se expandir. O baterista monstro John Stanier hipnotizou todo mundo com sua incansável força e precisão (no final do show, o cara derretia de tanto suor). O hit Atlas foi arrebatador e fechou o show, deixando o público insandecido pedindo mais. O Battles fez um showzaço, soando ainda melhor ao vivo que em seu bacanudo álbum de estréia, Mirrored. Eu não acreditei ver tanto cabeludo batendo cabeça, gritando e batendo palmas ao final de cada uma das músicas. Música boa é foda.
Conquest é o terceiro single do novo álbum do White Stripes, Icky Thump. E, apesar do clipe ter sido dirigido pelo homem-múltiplo Diane Martel (o cara já dirigiu clipes do Killers, Editors, Mariah Carey, Justin e até do RBD), é bacaninha e traz Jack White como um toureiro destemido que se apaixona por um touro. A incrível Meg White aparece como a assistente de Jack, com um olhar de desdém que merecia o Oscar. A tradicional fotografia dessaturada dos Stripes continua lá, com zilhares de elementos vermelhos marcando a direção de arte, não importa quem seja o diretor. Divertido o vídeo para a melhor música do novo álbum. Assista.
O quarteto novaiorquino Grizzly Bear faz uma mistura de elementos psicodélicos e indie rock em músicas criativas que são sempre elogiadas pela blogosfera. Só que eu não acreditei quando ouvi esta versão que eles gravaram da manjada Too Little Too Late, musiquinha da teen Jojo e uma das mais tocadas este ano aqui no Brasil. Pop até o talo. Vejam o clipe da música original (assista só um pouquinho, vai):
Edward Droste, guitarrista do Grizzly Bear, passava dias enchendo o saco do seu companheiro de banda, Daniel Rossen, para que ele gravasse uma versão desta música. Nada. Ed até ofereceu um iPod velho em troca da música mas também não deu em nada. E não é que, um ano depois, no aniversário de Edward, Daniel apareceu com este puta presente de aniversário? A versão é bacaníssima, com arranjos de violões e um clima sensível de arrepiar. Não dá pra acreditar que é a mesma música. Escute.
Standing in the Way of Control, o primeiro álbum do The Gossip é um dos que mais tocam no meu ipod. A pancadaria doce e a voz da Beth Ditto são irresistíveis. Os caras postaram esta semana em sua página do MySpace uma música nova, 8th Wonder. Como o último update no site oficial da banda ainda fala do single lançado em agosto deste ano, só dá pra especular e torcer pra esta música entrar no próximo álbum do grupo, escalado pra sair em 2008. Apesar de não estarem falando tão bem dela assim em outros blogs, 8th Wonder é bacanuda sim, tem uma linha de baixo viciante e merece ser ouvida bem alto.
Os rappers André 3000 e Big Boi voltam com uma música inédita depois do fracasso do filme Idlewild e sua trilha sonora. A trilha tem boas músicas, como a divertidíssima The Mighty O, mas como todo mundo esperava um novo Speakerboxxx/The Love Below (álbum duplo dos caras lançado em 2003 e que vendeu mais de 10 milhões de cópias), o álbum simplesmente não tinha como dar certo mesmo. Depois que Big Boi fundou a gravadora Purple Ribbon Entertainment e André se envolveu com outros projetos fora do mundo da música, milhares de boatos davam certeza que o duo Outkast iria acabar. Mas Art Of Story Telling Pt. 4, nova música assinada pelo duo, chegou chutando a porta da frente e mostra pra todo mundo que a criatividade e a parceria deles está longe de acabar. Climinha cool, os vocais certeiros de Marsha Ambrosius, um órgão que não soa óbvio, metais e uma rima nervosa de Dr.Dre berrando: sigam o mestre, negada. Ninguém sabe ainda dizer se esta música faz parte de algum mixtape ou de algum álbum novo. (UPDATE: a música faz parte de uma mixtape do DJ Drama chamada Gangsta Grillz: The Album). Mas é uma puta maneira bacana de dizer que a dupla continua viva.
O Dj e produtor estadunidense Moby está se preparando para o lançamento do seu sexto álbum, Last Night. Depois de passar dois anos sem lançar nada, o cara apareceu e postou no seu MySpace as duas faixas mais obscuras do disquinho: The Stars e Sweet Apocalypse . E, pra quem achava que desta vez o som dele iria evoluir para algo além da obviedade techneira, é melhor nem apertar o play aí embaixo. As duas músicas parecem retiradas de algum álbum do início da carreira dele, lá nos anos 90. As batidas de Stars têm todas aquelas intervenções das produções tun-tis-tum da década passada, samplers manjadíssimos e as tradicionais mudanças de ritmo a cada 30 segundos. Bem festa-rêive. Para os fiéis, Last Night sai no dia 25 de março de 2008.
Depois de um pequeno intervalo, voltamos com mais uma mix cheio de groove e más intenções. O nosso quarto Diabacast Fuego cria um climinha perfeito para aquelas noites pós-balada onde ninguém pensa em dormir. Tudo começa com o trip-hop classudo do Morcheeba ainda com os vocais da inglesa Skye Edwards, o soul de Erykah Badu e as batidas do A Tribe Called Quest quebram qualquer gelo. O climinha vai esquentando até chegar nas irresistíveis Criminal, da novaiorquina Fiona Apple e Woman, da rouquinha Neneh Cherry. O resto agora, é com você.
1 - Otherwise - Morcheeba
2 - On & On - Erykah Badu
3 - Bonita Applebaum - A Tribe Called Quest
4 - Even After All - Finley Quaye
5 - Destiny - Zero 7
6 - Criminal - Fiona Apple
7 - Woman - Neneh Cherry
8 - Just a Thought - Gnarls Barkley
A passagem do LCD Soundsystem pelo Brasil fez pouco barulho. Um dos melhores shows do ano, o produtor James Murphy e sua banda foram vistos por pouca gente na maioria das cidades em que passaram. Provavelmente por culpa da overdose de festivais e shows que aconteceram nas últimas quatro semanas. Mesmo assim, os caras não desanimaram e fizeram um show de arrepiar, com releituras de vários de seus hits com muitos instrumentos e poucos samplers.
Um amigo me perguntou se o show deles não seria só um Dj set com malabarismos e scratches, macaquices comuns nos vários shows de psytrance que invadem a capital nos últimos tempos. Só que James Murphy é um dos melhores produtores e músicos estadunidenses hoje em dia e seu segundo álbum Sounds of Silver está encabeçando listas e mais listas de melhores álbuns do ano. A mistura de elementos da disco music, punk, electro e funk soa fresca e criativa, com letras nada óbvias.
O show em Brasília foi em um local absurdo: no mesmo local onde a dupla Sandy & Júnior tinha se apresentado na noite anterior. A estrutura faraônica da produção do lugar assustou os poucos que acharam que o show começaria às 22h. O sueco Axell Willner e seu projeto classudão The Field só deu as caras perto da meia noite. Não sei se por causa do cansaço e da espera, o pessoal preferiu ficar longe da pista conversando e bebendo a cerveja cara do bar. Willner teria se dado melhor se o show não tivesse demorado tanto a começar. Às 2 da manhã de domingo, ao som das batidas de US vs Them, o LCD Soundsystem surgiu sob um imenso globo disco.
A estilosa tecladista Nancy Whang e seus vocais foram os destaques da noite. Ela, Murphy e o baterista Pat Mahoney pareciam não se importar muito com a apatia generalizada de muita gente que não sabia direito nem o que fazia ali. A sucessão de hits como North American Scum, Get Innocuous e até Daft Punk Is Playing at My House não conseguiram quebrar o gelo com o público e muita gente deixou o show na metade. Vai entender, coisas de Brasília.
Murphy, o homem-banda, mostrou todo seu lado perfeccionista, se movimentando pelo palco o tempo todo fazendo ajustes, acertando detalhes e dando orientações à equipe técnica. Em um momento do show, ele se desculpou por não falar português e comentou com o público sobre uma absurda luz direta ligada, que atrapalhava todo o clima do show. Rapidinho ele se virou, fez um gesto e as luzes se apagaram. Só aí a belíssima All My Friends pôde começar.
Um dos melhores shows que vimos este ano. Pena o público ser tão fraquinho. Nós achamos o clima tão frio que tínhamos quase certeza que a baladinha New York, I Love You but You’re Bringing Me Down seria degolada. Que nada. Com um puta profissionalismo, a banda voltou para um bis honrado e terminou muito bem sua apresentação. Escute a última música do show aí embaixo: