Nós Vimos: Battles

Depois de muita correria, finalmente chegamos em Goiânia no sábado. Ficamos loucos para ver o show do Pato Fu na sexta, mas o caos não deixou: reuniões, produção de camisetas, confecção do banner da marca para o stand… já era. Quem viu, disse que o show dos mineiros foi muito bom. Montamos a lojinha com as camisetas e fomos trabalhar, afinal, o Goiânia Noise é um dos principais festivais independentes e muita gente iria aparecer. Uma puta estrutura foi montada no Centro Cultural Oscar Niemeyer, um lugar gigantesco, super arejado e bem familiar pra quem é, como a gente, de Brasília. A organização e boa vontade que faltaram no Tim Festival sobraram no Noise: vários pontos para venda de bebidas e ranguinhos (todos com preços camaradas), área de stands bem organizada, entrada sem aperto e palco principal no anfiteatro com uma acústica extraordinária. O povo da Monstro Discos está cada vez mais profí.
Vimos poucos shows, já que a gente se revezava nas vendas e na ajuda aos nossos hermanos da Kingdom Comics, nossos companheiros de stand. O palco 2 ficava logo atrás da área da feira, então ouvimos a porrada toda das bandas que se apresentaram ali, como os interessantíssimos gaúchos do Damn Laser Vampires e os cuiabanos do Macaco Bong. Mas o nosso lado empreendedor foi pro saco quando se aproximou a hora do show dos novaiorquinos do Battles. Guardamos as camisetas, desmontamos tudo e fomos felizes ver o show de cerveja na mão.
A mistureba do Goiânia Noise é linda: os metaleiros do Korzus pouco antes do Cordel do Fogo Encantado, Mundo Livre S/A abrindo pro Sepultura. Achei que o público não iria curtir muito a maluquice sonora do Battles, cheios de experimentalismo e inúmeras camadas de instrumentos. Se fosse em Brasília, o show não teria 500 pessoas. Imagina então o que uma multidão insandecida pelo som do Sepultura iria achar de quatro gringuinhos de roupa social distorcendo guitarras com uma parafernália eletrônica?
O Battles chegou de mansinho e foi tomando o anfiteatro, crescendo aos poucos. Abriram o show com o novo single Tonto, que teve um probleminha quando Tyondai Braxton tentou fazer os efeitos com o microfone e o treco não funcionou direito. A química dos caras no palco é absurda, com cada novo instrumento sendo executado/distorcido na hora exata, dando a sensação de que aquele som ali não iria parar de se expandir. O baterista monstro John Stanier hipnotizou todo mundo com sua incansável força e precisão (no final do show, o cara derretia de tanto suor). O hit Atlas foi arrebatador e fechou o show, deixando o público insandecido pedindo mais. O Battles fez um showzaço, soando ainda melhor ao vivo que em seu bacanudo álbum de estréia, Mirrored. Eu não acreditei ver tanto cabeludo batendo cabeça, gritando e batendo palmas ao final de cada uma das músicas. Música boa é foda.

30 de Novembro de 2007, 08:45
Saudade do tempo que eu era jovem e podia pular ao som de boa música…
Saudade do tempo que a música entrava no meu ouvido e saia pelos carocinhos do braço.
Ler isso me bateu saudade de um “showzaço”.
Smacks =*